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Natalia Baggio

O setor elétrico na linha de frente da Internet das Coisas

Por Charles Capdeville*

​​Dispositivos computadorizados, interligados por meio da internet, e que trocam dados e realizam tarefas com base nas informações coletadas. Essa é a base da Internet das Coisas, tema que vem sendo amplamente comentado atualmente. Mas proponho aqui avançarmos mais um passo nessa discussão. Para que essa ideia possa se concretizar e passar a fazer parte, de fato, do cotidiano das pessoas, no Brasil, é preciso que setores inteiros passem por transformações radicais, com apoio do poder público e dos agentes reguladores.

O setor elétrico, especificamente, está vivendo um momento de transformação digital, ainda que modesto, impulsionado por projetos de redes inteligentes ou smart grid, colocando-se na “linha de frente” da Internet das Coisas. Iniciativas como inteligência artificial, despacho automático de equipes e automação da rede elétrica, por exemplo, permitirão tanto melhorar a assertividade da localização de eventuais defeitos na rede e reduzir o tempo de atendimento, quanto realizar a gestão do consumo de energia, entre outros benefícios aos clientes e às distribuidoras.

A Internet das Coisas é uma evolução que já começou. Empresas preparadas para construir e fomentar essa nova realidade que se configura estarão capacitadas a entregar essa experiência aos seus clientes. No entanto, para que a iniciativa privada possa se posicionar frente aos desafios inerentes a essa transformação, algumas questões precisam ser equacionadas, como o desenvolvimento de fornecedores nacionais, a viabilização de investimentos pelas políticas públicas e a realização de uma grande revisão do modelo regulatório.

No Brasil, iniciativas como o FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos) já financiam projetos do gênero e merecem destaque, mas falta ainda uma definição e um plano diretor que cubra todas as diretrizes e regras que incentivem a implantação de smart grid para todas as concessionárias.

Considerando todos esses pontos e os desafios que temos pela frente, é imperativo que a regulação brasileira não apenas acompanhe, mas pavimente o caminho para a transformação digital. Nós, empresas, já estamos prontos para seguir com nossa jornada essa estrada.


*Charles Capdeville é Diretor de Engenharia da AES Eletropaulo